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G20, Brazil joga no G20 papel ambiguo – PO – 2p – 28.01.2010 – Amérique, mondialisation

'Brasil joga no G-20 papel ambíguo'

Gustave Massiah
Terça-Feira, 26 de Janeiro de 2010

Gustave Massiah: Analista político francês[br]Para analista francês, o País e Lula vivem dilema entre ser a voz dos mais pobres e fazer parte do clube dos privilegiados.
Wilson Testa

PORTO ALEGRE
Vice-presidente da Associação para Taxação das Transações em Atenção aos Cidadãos na França, o economista, urbanista e analista político francês Gustave Massiah, vê dilemas para o Brasil e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em instituições internacionais como o G-20 e o FMI. Para ele, que participa hoje de um dos debates do Fórum Social Mundial, o País e seu presidente estão divididos entre ser a voz dos países mais pobres e serem aceitos no clube dos privilegiados. Massiah vê Lula como um "sedutor", que cada um enxerga como "o cara" idealizado em seus próprios desejos.

Como avalia o Brasil no G-20?

Brasil joga no G-20 um papel contraditório e ambíguo. Se apresenta como um defensor das vozes dos países do Sul no G-20, mas está lá como detentor de um poder reconhecido, o dos países emergentes. É cortejado pelas grandes potências que lhe exigem que modere a direção. Ele mesmo é tentado pela vontade de reconhecimento como potência. Será que fará ouvir as vozes do Sul ou utilizará essa situação para valorizar sua posição? Difícil saber a que isso levará.

Brasil tem confiado demais em instituições internacionais como o FMI?

Brasil não jogou mal suas cartas com as instituições internacionais. Em relação a elas, particularmente ao FMI, tem grandes possibilidades. Pode jogar um papel determinante na construção, na América Latina, de grandes regiões e suas instituições, por exemplo o Banco do Sul. Os mercados regionais, as moedas regionais, as instituições regionais podem fazer parte das respostas à mundialização neoliberal. Pode também se recusar a se deixar seduzir por uma reforma de fachada do FMI e do Banco Mundial.

Como avalia a celebração da imprensa internacional em relação ao Brasil, apontado como sucesso econômico?

A imprensa econômica internacional está interessada pelo capitalismo brasileiro. Vê nele uma saída da crise como em um sonho: crescimento, investimentos, mercados, negócios. É uma visão de curto prazo, mas à qual não faltam atrativos. Considera que o Brasil deu garantias de seriedade em respeito a seus acordos com as classes empresariais, cumpriu-as ao preço de enfraquecimento de suas alianças com uma parte das classes populares. Espera que ele se legitime, com o G-20, o diretório das potências e dos ricos.

Obama chegou a dizer que Lula era "o cara". Lula tem peso no jogo internacional?

Lula é um grande sedutor. Cada um considera Lula o "cara" com que sonha e que lhe convém. Lula joga um papel muito importante na vida internacional. Mas a parte principal ainda não foi jogada. Será que ele vai se contentar em ser aceito no clube dos grandes, em nome de um Brasil que contará entre as potências do mundo, ou correrá o risco de participar de uma invenção e uma refundação do mundo que deixe a todas as pessoa o lugar com que sonham?

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